Por que comecei e os quatro jeitos de criar com IA
Meu nome é Rodrigo ES Porto. Moro em Vitória, no Espírito Santo. Este é o primeiro texto da série Jornada: um diário público, um pedaço por dia, do que estou aprendendo com inteligência artificial.
A pergunta daqui é simples. Por que eu comecei, e quais são os quatro jeitos que eu uso para criar com IA. Muita gente só conhece o chat que responde pergunta. Eu também comecei por aí. Depois vi que dá para ir além, sem fingir que eu sou programador de carteira.
Eu ensino de graça o que estou aprendendo. Não vendo curso. Se eu não consigo explicar simples, eu ainda não entendi.
O que eu queria resolver
Eu sou formado em Sistemas de Informação. Trabalhei com vendas e representação comercial. Depois fui para qualidade, treinamento e auditoria numa multinacional americana. Nunca programei profissionalmente. Hoje sou motorista de aplicativo, de segunda a sábado, de manhã até o fim da tarde. À noite e no domingo eu trabalho com agentes de IA.
O que eu queria resolver cabia em poucas linhas: organizar a rotina, cuidar do perfil no X e não deixar ideia morrer. E voltar à tecnologia pela porta do estudo e da IA.
No começo de setembro de 2026 eu abri o Grok Bot, o aplicativo de agentes do Grok, e criei um assistente principal. Ele funciona como chefe de gabinete: recebe o que eu peço e coordena o resto. Esse foi o ponto de partida. O resto da série conta o que veio depois, um pedaço de cada vez.
Resumo rápido
- Eu voltei à tecnologia com estudo e IA, dirigindo de dia e estudando de noite.
- IA, neste texto, é um programa que sugere a próxima palavra, o próximo passo ou um pedaço de código a partir do que você pede. Não é uma pessoa.
- Os quatro jeitos que eu uso são perguntar, delegar, construir e programar.
- Nenhuma dessas ferramentas substitui julgamento. Elas encurtam o caminho entre “eu sei o que quero” e “está no ar”.
- A primeira lição prática: escrever o que o agente pode e o que não pode, e pedir resposta curta, para economizar tempo e uso.
Primeiro: o que é inteligência artificial
Quando eu falo IA, penso no programa que tenta continuar o que você escreveu. A imagem que me serve é o corretor do celular. Você digita duas palavras e ele arrisca a terceira.
Por dentro, o mecanismo é parecido, só que em escala enorme. O modelo viu uma quantidade absurda de texto. Diante do seu pedido, ele calcula o que tem mais chance de vir a seguir: uma palavra, uma frase, às vezes um plano inteiro.
A comparação para num ponto. O corretor do celular não organiza a sua semana e não monta um site. E a IA não “sabe” se o que saiu é verdade. Ela erra com cara de certeza. Quem confere sou eu.
Primeiro: o que é um agente
Um agente de IA é um assistente com um papel escrito. No chat comum, você pergunta e lê a resposta. Com um agente, você dá um objetivo e ele tenta cumprir em passos.
Eu penso num estagiário bem disposto, que lê a instrução ao pé da letra. Se a instrução é vaga, ele improvisa. Se é clara, ele rende.
A comparação quebra aqui: o estagiário cansa, pede colo e vai embora às seis. O agente segue até o limite que você ou a ferramenta puseram. Por isso eu escrevo regra. Sem regra, ele enche linguiça. Com regra, ele cabe na minha noite.
Grok é o assistente da xAI. Eu uso no aplicativo e no X, que é a única rede em que eu estou. Grok Bot é o aplicativo em que esses agentes ganham um papel e passam a receber um objetivo, não só uma pergunta.
Os quatro jeitos de criar com IA
Eu não montei uma teoria. Dei nome ao que eu já fazia, para não misturar a ferramenta com a expectativa.
1. Perguntar
Ferramenta: Grok, no aplicativo e no X.
Serve para tirar dúvida, pesquisar e destravar ideia. É o jeito mais perto de uma conversa. Eu escrevo a pergunta, leio a resposta, confiro e sigo. Isso não publica sozinho, e só vira arquivo se eu copiar.
Se o assunto for sério, eu não paro no chat. Eu abro a fonte. O Grok destrava a ideia. Conferir é trabalho meu.
2. Delegar
Ferramenta: Grok Bot.
Aqui eu passo um objetivo e um agente tenta fazer os passos. Delegar não é abandonar: é pedir e depois conferir.
No começo de setembro, o objetivo era a rotina, o perfil no X e as ideias. O assistente principal recebia o pedido e coordenava o resto. Eu não soltava a mão. Se eu não leio o que voltou, eu não deleguei. Eu larguei.
3. Construir
Ferramenta: Grok Build.
Eu descrevo o que quero e tento chegar a um aplicativo. Ainda é conversa, mas o resultado quer ser uma coisa que se usa, não só um parágrafo.
Dá para imaginar que é pedir um móvel descrevendo a sala. Na prática, a ferramenta gera o que ela entendeu do pedido. A imagem deixa de valer se eu não sei o que quero: nasce torto e eu perco a noite.
4. Programar
Ferramentas: Cursor e Google Antigravity, dois editores de código com IA. Código de verdade: arquivo, site ou agente que continua existindo quando eu fecho o chat.
Aqui a conversa vira coisa que fica. Eu fico no comando. Eu nunca programei profissionalmente. A IA escreve rápido. Eu é que decido se entra. O resto dessa história fica para os próximos textos. Hoje o que importa é o mapa.
Como eu escolho o jeito
O meu filtro, hoje, é este:
- Se eu tenho uma dúvida, eu pergunto no Grok.
- Se eu tenho um objetivo com vários passos, eu delego no Grok Bot e confiro o que voltou.
- Se eu quero um aplicativo a partir de uma descrição, eu tento o Grok Build.
- Se precisa continuar existindo como arquivo, site ou agente, eu vou para o editor, no Cursor ou no Antigravity, e não largo o comando.
- Em qualquer um dos quatro, se eu não puder conferir, eu não sigo.
Quando dá certo, eu leio de noite, confiro e uso. Quando não dá, a resposta vem longa e a noite acaba.
O que eu usei
No começo, quase tudo passou pelo Grok. O chat no app e no X para perguntar. O Grok Bot para delegar. O Grok Build para construir. Cursor e Antigravity entram quando o assunto vira arquivo.
Eu uso essas ferramentas no meu trabalho pessoal. Não falo pela boca de nenhuma empresa. Quando ela promete alguma coisa, eu trato como promessa dela, não como fato meu.
O que deu errado
Não foi um erro de tela. Foi pedido vago. Sem dizer o que o agente pode e o que não pode, ele improvisava. Sem pedir resposta curta, o texto inchava. Eu dirijo o dia inteiro. Chego em casa sem estoque de paciência para romance de máquina.
O que eu aprendi
A lição mais cedo não foi técnica. Foi de escrita. Eu precisei escrever regras claras para o agente: o que pode e o que não pode. E precisei pedir respostas curtas e objetivas, para economizar tempo e uso.
A outra lição veio colada: delegar sem conferir é abandonar. Eu não quero um assistente que publique a minha vida. Eu quero um chefe de gabinete que prepara, e um humano que assina.
O que eu faria diferente
Escrever as regras no primeiro dia. Pedir curto desde o começo. Não esperar a noite virar um novelo para descobrir que o problema era o pedido, não a ferramenta.
Custos e limites
Neste começo eu não vou cravar preço de ferramenta que eu não tenho na mesa deste texto. O custo que eu posso cravar é o de tempo: noites e domingo. O “uso” que eu menciono é o quanto a ferramenta consome a cada pedido. Resposta curta gasta menos tempo meu e menos uso.
O limite que eu posso cravar é o do julgamento. A ferramenta encurta o caminho. Eu publico. Eu assino o que sai com o meu nome.
Outro limite: eu ensino o que estou aprendendo. Se ainda estou no meio, eu digo que estou no meio. Erros e custos, sem maquiagem.
Para quem serve
Serve para quem é leigo, tem pouco tempo e aceita conferir o que a máquina devolve.
Não serve para quem quer um botão que resolva a vida, nem para quem espera um método à venda. Também ainda não é um tutorial de programador veterano.
Fechamento
Eu comecei porque a rotina pedia ajuda e porque eu quis voltar à tecnologia sem vestir um crachá que eu não tenho. Os quatro jeitos (perguntar, delegar, construir, programar) são o mapa desta série. O primeiro passo real foi um assistente no Grok Bot, no começo de setembro.
No próximo texto eu conto esse primeiro assistente com calma: como delegar sem abandonar.
Estou no X: @RodrigoesPorto.
Fontes e links
- Grok e xAI: https://x.ai/
- Grok Bot (página da empresa): https://x.ai/news/introducing-grok-bot
- Grok Build (página da empresa): https://x.ai/build
- Cursor: https://cursor.com/
- Google Antigravity: https://antigravity.google/
- Meu perfil no X: https://x.com/RodrigoesPorto